Crítica: 'GLOW' prometeu, mas cumpriu pouco
24.06
2017
Crítica: ‘GLOW’ prometeu, mas cumpriu pouco

A Netflix disponibilizou nesta sexta (23/06) a primeira temporada de ‘GLOW’ (Gorgeous Ladies of Wrestling = Garotas Lindas da Luta Livre), comédia criada pela equipe de ‘Orange is The New Black’. A série, ambientada em Los Angeles, na década de 80, acompanha um grupo de 14 “mulheres não convencionais” que caíram de paraquedas no mundo da wrestling, um tipo de luta teatral, que fez muito sucesso na televisão nos anos 80. Muitas cores, neon, glitter, calças de cintura alta, decotões, penteados elaborados, e colantes cavados: ‘GLOW’ é um prato cheio pra quem curte tramas “retrô”.

A história é centrada em Ruth (Alison Brie, a Trudy Campbell de ‘Mad Men’), uma atriz que está desmotivada com sua carreira. Depois de mais um teste mal sucedido, em que ela acabou interpretando o personagem masculino por engano, Ruth recebe uma proposta nada convencional: participar de um programa de luta livre feminino. Sem perspectivas profissionais e com as contas acumulando, ela acaba aceitando.

O conflito entre Ruth e Debbie (Betty Gilpin, a Audrey de ‘American Goods’), uma conhecida atriz que deixou a carreira para cuidar do filho, direciona a história. Elas eram amigas até Debbie descobrir que seu marido a traia com Ruth. Debbie vai tirar satisfação com a sua ex-amiga durante um treino da ‘GLOW’. A briga das duas chama atenção do diretor e do produtor do programa, que resolvem trazer a relação problemática da dupla para o ringue, as tornando protagonistas do show. O desafio delas, além de aprender golpes, é conviver com o que restou da amizade.

O roteiro é vitimado por um humor pobre e sem noção. Não fica aquele gostinho de quero mais para o próximo episódio – em especial nos primeiros capítulos –. “É tipo um pornô que você pode assistir com as crianças. Finalmente!”, descreve o Sam (Marc Maron), o diretor da ‘GLOW’. Ele diz que o programa vai escancarar o machismo e os estereótipos raciais, mas a promessa não se cumpre. A simulação de um aborto no ringue com ketchup na virilha e uma luta de uma negra contra duas mulheres fantasiadas de membros da KKK (seita racista dos EUA) são exemplos destes momentos que não tiveram um pingo de graça e deram vergonha alheia. Não fica claro se o que foi colocado é uma crítica ou simplesmente um humor negro que não arranca nenhum riso. A única crítica inteligente, certeira e bem humorada que rolou, ao meu ver, foi na primeira cena do primeiro episódio. Isso não foi mantido nos próximos episódios, infelizmente.

As demais meninas do grupo, que aparentam ter boas histórias para serem exploradas, foram pouco desenvolvidas nesta temporada. Quem são? O que as motivou a participar do programa? Fiquei com vontade de saber mais sobre estas mulheres. Se houver uma segunda temporada, eu espero que a trama se distancie um pouco da dupla Ruth e Debbie e desenvolva mais o restante do elenco, semelhante ao que aconteceu em ‘Orange is The New Black’ e que garantiu o sucesso e a riqueza do enredo da irmã mais velha de ‘GLOW’.

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NOTA: 4/10 

24 anos, sagitariana. Comunicadora por paixão e formação. Viciada em informação e histórias desde que me conheço por gente.

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Tema por Gabriela Gomes