Crítica | Power Rangers
21.03
2017
Crítica | Power Rangers

Alpha, Rita se libertou, recrute um grupo de adolescentes com garra.

 

 

24 Anos depois da exibição do primeiro episódio lançado na TV de Might Morphin Power Rangers, a velha formação está de volta com o lançamento do novo filme da LionsgatePower Rangers

“A jornada de cinco adolescentes que devem buscar algo extraordinário quando eles tomam consciência que a sua pequena cidade Angel Grove – e o mundo – estão à beira de sofrer um ataque alienígena. Escolhidos pelo destino, eles irão descobrir que são os únicos que poderão salvar o planeta. Mas para isso, eles devem superar seus problemas pessoais e juntarem suas forças como os Power Rangers, antes que seja tarde demais.”

Depois de uma grande batalha no qual  Rita Repulsa (Elizabeth Banks) faz de tudo para conseguir o poder supremo dos Rangers, uma antiga equipe agora dividida se sacrifica para o bem do mundo, mandando Rita para o esquecimento profundo no oceano. 65 Milhões de anos depois, um grupo de adolescentes que busca se encaixar na cidade de Angel Groove.

Os cinco jovens atores que interpretam os personagens principais são pouco conhecidos, alguns um pouco mais como Naomi Scott que já passou por Perdido em Marte e Dacre Montgomery que interpreta Billy em Stranger Things. Esses novos atores trazem a essência da série original, com os personagens com mesmos tipos de problemas, porém melhor explorado desta vez. Por serem cinco personagens a ser apresentado, era óbvio que o tempo de tela maior seria usado para contar suas histórias e em toda a sua trajetória para se tornar um Power Ranger. Porém o problema disso é que muitas cenas são desnecessárias, pois elas tentam caracterizar o personagem, sendo que é possível identificar tal motivação do personagem antes mesmo de tentar se explicar.

Jason (Drace Montgomery) recebe a maior carga dramática no filme, após ser renegado pelo amigos do time de futebol e seu pai perder as esperanças com ele. Ele precisa se tornar um líder melhor e assim a dramaticidade do seu personagem ganha um auge maior nas cenas finais, sendo uma das poucas partes tocantes do filme.

Kimberly (Naomi Scott) que era umas das pessoas mais populares da escola comete um erro terrível e tem de lidar com isso pelo resto de sua vida, sendo rejeitadas por todos. Seu arco é bem pequeno e pouco se tem a agregar na história em geral.

Trini (Becky G) é aquele tipo de pessoa que não consegue criar laços amistosos e devido a sua família ser bastante tradicional, ela encontra problemas para se relacionar com eles, fazendo dela uma excluída dentro e fora de casa. Com base nisso gera muitas teorias e desconfianças de seus familiares e principalmente com a nova equipe montada. O arco dela poderia ser algo grandioso que provavelmente pode alcançar isso nos próximos filmes, porém muito foi apresentado e não obteve um final digno da expectativa.

Zack (Ludi Lin) É um cara que encontra problemas por ser estrangeiro e tenta se virar no mundo para cuidar de sua mãe que convive com um problema muito grave. Ele consegue se encaixar na equipe como uma pessoa sem limites e que busca por esperança no mundo. Outro problema de arco mal finalizado, pois a vida Ranger parece não ter muito impacto na vida dele.

Billy (RJ Cyler) é o nerd da turma, ele busca encontrar um grupo em que se encaixe e vive sendo perseguido pelos valentões da escola. Ao se tornar um Ranger fica extremamente empolgado e é o coração da equipe, trazendo animo nos tempos ruins e sendo um exemplo de força de vontade. Esse o Zordon escolheu bem.

A direção de Dean Israelite é inteligente em certos pontos do filme, principalmente quando ele quer destacar o personagem com a sua cor do traje, ele mostra vários indícios em todo o filme de que os Rangers escolhidos eram predestinados desde o começo da história. Porém ele peca ao entregar certos pontos da trama, que mesmo não prestando totalmente atenção no filme é capaz de você enxergar qual será o golpe final. O que é bastante decepcionante.

Power Rangers é um filme complemente divertido, com boas piadas utilizadas nos momentos certos e do meio para frente eleva quase 100% a qualidade do filme. Você que é fã ficará extremamente empolgado (assim como eu) nos momentos em que o filme faz referências a série original e principalmente, quando é tocada a música tema na parte mais empolgante do filme.

As cenas de ação são totalmente em CGI, muito diferente daquilo que estamos habituados a ver com a série dos Power Rangers. As cenas de lutas com os bonecos de massa são plásticas e decepcionantes, porém ela não dura muito tempo. As coreografias da série, mesmo sendo bastante engraçadas em certo pontos, consegue passar o tom humano dos Rangers naquelas lutas.

Agora, para quem achava que as cenas de ação dos Zordon seriam um show de horror de CGI, eles estão completamente enganados. As melhores cenas do filme são as lutas dos Zords contra Goldar e alguns bonecos que Rita deixa pelo caminho. As cena são incrivelmente lindas e a palheta de cor utilizada para tais cenas, deixa tudo mais iluminado, deixando cada detalhe visível. Essa qualidade é a mesma que vemos em filmes como Transformers e Círculo deFogo. Aliás há referências a Transformers.

Rita Repulsa (Elizabeth Banks) é um tipo de vilã diferente. Os motivos dela para destruir o mundo é bastante controverso, mas você deve levar em conta que ela é uma alienígena que não liga para a raça humana. Por incrível que pareça, ela aparece pouco no filme, mas com suas feições e suas frases clássicas, será difícil não se apaixonar pela vilã, mesmo ela querendo destruir você e o resto do mundo.

Mesmo com a simpatia de Elizabeth Banks, a vilã do filme não mostra ser a ameaça que Zordon e Alpha 5 tanto temem, ou seja, ela não é muito bem construído e o seu poder nunca foi algo que realmente ameaçou os Rangers na trama toda.

Zordon (Bryan Cranston) aparentemente se mostra muito diferente daquilo que a série mostrou. Aqui ele se mostra mais preocupado consigo mesmo do que com os próprios Rangers, mas é bastante interessante mostrar o sacrifício que ele fez para no final, se tornar aquilo que todos conhecemos. Um ser de grande sabedoria e com um grande coração.

O roteiro de Arne Olsen é bastante ousado e um momento especifico toma um rumo totalmente livre e dramático, em que o público ficará extremamente chocado, lembrando vagamente a cena de Negan em The Walking Dead. Mas não se preocupe, os Power Rangers foram criados para levar esperança ao mundo, então seque suas lágrimas pois Zordon se tonar o maior herói de todo o filme.

Conclusão

Power Rangers é um filme divertido, porém peca nas poucas cenas de ação dos Rangers mas acerta com os Zords. O começo do filme é bem parado e bastante entediante, mas  ganha um grande salto quando a vilã resolve incomodar de verdade. Ele é uma história de origem que se estende demais em coisas desnecessárias, que não agregam em nada no molde do personagem. É um bom início de franquia, mas poderia ter sido muito maior se a carga dramática fosse melhor dividida. O filme irá agradar os fãs de todas as idades e o público geral vai se divertir ao visitar a Alameda dos Anjos.

 

Nota: 7

Power Rangers contém cena pós-créditos!! Ai Ai Ai Ai Ai

O longa chega aos cinemas em 23 de Março de 2017.

Primeiro Batman antes de Bruce Wayne. Extrovertido e sem graça. Uma mistura de piadas ruins e clichês, e um senso de humor gigante para rir delas. Editor chefe do GeekSaw. Apaixonado pela "Bigscreen" e por tudo que é novidade.

GeekSaw • www.geeksaw.com.br
Tema por Gabriela Gomes