Crítica – Vidro
09.01
2019
Crítica – Vidro

Em tempos de grandes heróis e vilões conhecidos das famosas histórias em quadrinhos, um “mini-universo cinematográfico” estava sendo criado sem tantos holofotes, mas muito bem cultuado que começou com “Corpo Fechado”. Anos depois do lançamento tivemos uma grande surpresa, um vilão com várias personalidades que aterrorizou várias mulheres no filme “Fragmentado” fazia parte de algo maior, ele faria parte de todo um universo criado pela mente do diretor M. Night Shyamalan.

Confira a sinopse abaixo:

Após a conclusão de Fragmentado (2017), Kevin Crumb (James McAvoy), o homem com 24 personalidades diferentes, passa a ser perseguido por David Dunn (Bruce Willis), o herói de Corpo Fechado (2000). O jogo de gato e rato entre o homem inquebrável e a Fera é influenciado pela presença de Elijah Price (Samuel L. Jackson), que manipula seus encontros e guarda segredos sobre os dois.

Com a esperada continuação de “Corpo Fechado” e “Fragmentado”, chega ao brasil o terceiro filme desse universo, intitulado “Vidro”, fazendo alusão ao maquiavélico vilão de “Corpo Fechado”. Nesse terceiro filme, temos a reunião desses três personagens.

Assim como mostrado no trailer, temos a volta de Bruce Willis como “David Dunn/Vigilante”, James McAvoy como “Kevin Wendell Crumb/Horda” e Samuel L. Jackson como “Elijah Price/Sr.Vidro”. A volta de Bruce Willis ao papel traz um pouco da nostalgia do primeiro filme e percebemos o quanto é essencial esse tempo todo para volta dele. Seu personagem está mais velho desde sua primeira vez em ação e muito mais eficiente na sua luta como Vigilante. É importante dizer que o filme se passa algum tempo depois dos acontecimentos de Fragmentado e que o personagem de James McAvoy continua desaparecido. O personagem de Bruce Willis decide que sua missão é encontrar esse psicopata desaparecido.

O encontro desses dois personagens foi bastante esperado e a atmosfera do filme deixa a coisa ainda mais interessante. As cenas de luta de todo o filme podem deixar o público um pouco desconfortável, pois não é aquilo com o que estão acostumados com filmes de heróis, pois ele tenta mostrar uma outra forma de ver todo aquele conflito e deixa as coisas um pouco mais pé no chão com a intenção de transformar aquilo menos “super” e mais caótica.

James McAvoy mais uma vez entrega um show de interpretação, trazendo mais personalidades ao seu personagem que mudam de um momento para o outro, mostrando a capacidade física e mental do ator. Sua atuação junto com a descrição do personagem é definida com um “Caos Engarrafado”. Mesmo assim o destaque fica por conta de Samuel L. Jackson, trazendo um personagem que foi um pouco esquecido através dos anos e que mostra nesse filme todo o seu potencial.

Para quem é fã das obras de Shyamalan que sempre conta com um ritmo lento que vai se transformando em algo grande através da duração do filme não irá se arrepender, pois o mesmo estilo é utilizado em Vidro, porém ele se arrasta um pouco mais do necessário e sua reviravolta é um pouco menos impactante quanto dos outros filmes. Shyamalan entrega uma boa direção, com momentos espetaculares e pessoais de cada personagem, criando um tipo de laço com o espectador. Os personagens são muito bem construídos e inseridos na trama.

Vidro é sobre o quanto a realidade pode ser manipulada a partir de um ponto de vista, e basicamente esse é o papel da atriz Sarah Paulson que interpreta a Dra. Ellie Stapie. Ela encontra esses personagens enclausurados e tenta faze-los acreditar que eles não são tão poderosos quanto acreditam e coloca em xeque até mesmo o que o próprio espectador pensa sobre esses personagens.

Além disso, temos a volta dos co-estrelas dos outros filmes como Anya Taylor-Joy que interpretou Casey Cooke em Fragmentado, Spencer Treat Clark como Joseph Dunn de Corpo Fechado e Charlayne Woodard como a Mãe de Elijah/Sr. Vidro. Esses personagens ajudam a montar todo o quebra cabeça desses super-humanos em todo o drama psicológico que cada um vive.

Todo o drama inserido em Vidro, mostra o quanto podemos ser frágeis mesmo com poderes e dá a esses personagens algo que nenhum outro filme de super-herói conseguiu, que é criar uma personalidade muito maior do que qualquer super-poder. Mesmo que as cenas de ação sejam importantes e diferentes, você fica muito mais interessado na dinâmica de cada personagem com sua história e claro na relação entre eles. E esse tipo de embate um pouco mais diferente é essencial para que crie ainda mais dúvidas sobre o que é aquilo realmente.

A grande expectativa sobre esse filme pode atrapalhar aqueles que esperam desfechos épicos e podem se decepcionar, pois esta obra é ainda mais pessoal para o diretor, o que torna o filme muito mais corajoso. Ele se encontra em dois lados, na crença ou na descrença de seus personagens, e faz com que o espectador tenta adivinhar tudo o que está acontecendo, porém, a resposta pode não ser uma grande elaboração. Shyamalan transforma seu universo de seres poderosos em um universo único, que será discutido durante anos. Ele foge daquilo da grandeza e deixando de lado o convencional.

Para os fãs do estilo do diretor é um final que faz jus a toda trilogia, porém para aqueles que esperam o convencional, podem se desapontar.

 

Nota: 4/5

 

Vidro chega aos cinemas em 17 de Janeiro.

Primeiro Batman antes de Bruce Wayne. Extrovertido e sem graça. Uma mistura de piadas ruins e clichês, e um senso de humor gigante para rir delas. Editor chefe do GeekSaw. Apaixonado pela “Bigscreen” e por tudo que é novidade.


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Tema por Gabriela Gomes