Análise – 1ª temporada de Cursed – A Lenda do Lago

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Cursed – A lenda do lago, se une a mais uma produção original Netflix. A série tenta aproximar o público teen das crônicas do rei Arthur. Interpretando Nimue, como protagonista, apostam em Katherine Langford (13 Reasons Why), personagem com personalidade forte, que carrega o clichê de ser excluída pelo seu próprio povo, os Féericos; pelo fato de não controlar seus poderes, ligados a natureza e ao mundo oculto. Após os Paladinos Vermelhos assassinarem a mãe de Nimue, Lenore – Catherine Walker, a jovem recebe a missão de encontrar MerlinGustaf Skarsgård (Floki – Vikings) e entregar a poderosa espada dos poderes, vulgo Excalibur, desejada pelos reis e pela igreja.

Um dos conectivos que constrói a continuidade da série para os próximos episódios, é o fato do povo Féerico ser perseguido incessantemente pela igreja cristã – Paladinos Vermelhos, o que conduz uma referência histórica da Santa Inquisição e traz à tona Arthur, atuado por Devon – Terrel. O ator apesar de possuir agilidade para manusear uma espada, o oposto de Katherine Lanford, peca em sua atuação sem emoção, a sensação transmitida é que ele é apenas um justiceiro, protetor e apaixonado por Nimue. A relação dos dois é tediosa e não carrega nenhuma química, e, apesar de algumas cenas quentes, não trazem o clímax que os romances costumam trazer. 

A série entrelaça vários pontos desde a história do possível rei Arthur, até o mestre dos magos, Merlin, protagonizado pelo ator Gustaf Skarsgård. O papel atribuído não faz jus ao verdadeiro conto do conselheiro Merlin, em sua essência, nos livros, o personagem possui grande admiração do rei, graças a sua sabedoria, era considerado um homem que estava à frente do seu tempo, possuía a tirania e sagacidade como aliada, o que desenha uma personalidade totalmente oposta abordada na série. Em Cursed, a experiência de GustafSkarsgård para interpretar personagens excêntricos não foi aproveitada em seu ápice, ele é apenas um bêbado irreverente com segredos ligados a Nimue, sua mãe Lenore – Catherine Walker e a tão famosa espada dos poderes. Mas, o ator consegue desempenhar o papel dado a ele pela produção.

Uma das atuações que merecem destaque são a de Daniel Sharman como Monge chorão, o ator inspira a intensa sensação de ser implacável e impiedoso. Apesar de ter um acordo por interesse com um dos Paladinos, o monge chorão se mostra totalmente devoto a caçada aos Féericos, o que surpreende no episódio final é que na verdade ele era um camaleão infiltrado, lutando do lado errado pela a causa certa, defender seu povo, que são justamente quem ele caçava. A atriz Emily Coates também atuou de forma convincente,interpretando a irmã Iris, idólatra pela igreja almejando ser um Paladino Vermelho, algo proibido para uma mulher. Nesse momento, a série começa a desenhar seu posicionamento em apoio ao feminismo que se destrincha também em Nimue, trazendo o questionamento de que uma mulher também pode ser poderosa, liderar seu povo e carregar a honra de empunhar a Excalibur. Em isolado, o papel feminista que Nimue desempenha é bem feito por Katherine, o que entra em contradição com sua agilidade nas cenas, a atriz não transmite a habilidade esperada em correr pela floresta, empunhar e lutar com a espada. Tornando as cenas sem graça.

Squirrel, representado pelo ator mirim Billy Jenkins, emana sagacidade e coragem em sua atuação ao defender o povo Féerico, Squirrel contracena de igual para igual com o Monge Chorão, ambos protagonizam uma cena acolhedora e de cumplicidade no episódio final, que explica as ações do Monge.

Outro ponto aparente em Cursed é a devoção da igreja em uma moderna ‘’caça as bruxas’’ e a quebra de padrões sociais, como a homossexualidade entre freiras, papel desempenhado por Shalom Brune – Franklin, atuando como irmã Agraine(Morgana) e pela atriz Sophie Harkness, que contracena com Shalom, como irmã Celia. Apesar da importância de abordar esse tema, ambas não transmitem emoção com o amor proibido, de forma que a relação se mostra morna durante toda a série.

Pontos importantes e consideráveis: As trocas de cena são fracas e não conversam com a época retratada, cairiam bem para um anime, no caso.

Durante toda a série existem muitas cenas de luta, sangue e combates. O cenário e equipamentos poderiam trazer mais veracidade para a série. As roupas dos paladinos são incompletas, não possuem armaduras, tampouco o símbolo de cruz, marca registrada para a igreja e os paladinos vermelhos. Não desperta o ‘’friozinho na barriga do telespectador’’ durante os conflitos.

Cursed traz uma indagação desde seu primeiro momento, retratar o que possivelmente aconteceu antes do Rei Arthur se tornar rei e ao mesmo tempo faz pensar: Se a história fosse diferente, liderada por uma mulher, como seria?

A espada possuí uma magia muito forte, mas não explora o motivo e como ela surgiu antes de ter que ser entregue a Merlin, ela pertencia a ele antes? Por quê? Um fato que Cursed permite concluir é que talvez, a Excalibur possa despertar a essência mais predominante das pessoas, o lado altruísta ou sombrio, por exemplo.

Nota: 3/5