sábado, 13, jul, 2024

Crítica – Pantera Negra: Wakanda Para Sempre

Impossível começar qualquer texto sobre Pantera Negra sem mencionar o desafio enorme que Ryan Coogler e a Marvel Studios tiveram para trazer a continuação do épico de 2018 que mergulhou em originalidade, exaltou uma cultura que ficava de fora dos blockbusters e teve tanto sucesso em passar uma mensagem de empoderamento e coletividade. Enfim, chegamos no último filme que fecha a Fase 4 da Marvel com o aguardado Pantera Negra: Wakanda Para Sempre. Se não bastasse o desafio de dar continuidade do rico universo de Wakanda, ainda tiveram que lidar com a trágica morte de Chadwick Boseman em 2020, ainda no início da produção. Coogler aceitou o desafio de manter o projeto em pé, dar uma despedida digna de um rei para um personagem que marcou uma geração e abrir caminho para a Fase 5 da Marvel.

Confira a sinopse do filme:

“Em Wakanda, a Rainha Ramonda, Shuri, M’Baku, Okoye e as Dora Milaje lutam para proteger a sua nação de potências mundiais, na sequência da morte do rei T’Challa. Enquanto os Wakandianos se esforçam para abraçar o próximo capítulo, os heróis unem-se com a ajuda de War Dog Nakia e Everett Ross para descobrirem um novo caminho para o reino de Wakanda. Um filme de Ryan Coogler.”

A arte imita a vida real logo no começo, pois em sua primeira cena já presenciamos a perda do Rei T’Challa por uma doença desconhecida, assim como o falecimento do ator, sabemos pouco sobre o andamento da doença e só descobrimos quando se está na fase terminal. E é assim que encontramos Wakanda, sem o seu rei e com o mundo colocando os holofotes sobre a riqueza do país. A Rainha Ramonda (Angela Basset) demonstra força e comprometimento com seu povo e mostra as credenciais que fizeram de Wakanda a cidade mais evoluída do planeta. O tom político do roteiro já é apontado no início, mostrando que no primeiro sinal de demonstração de fraqueza, o colonizador mesmo que tenha alterado seu uniforme e sua nação, ainda continua na sede de querer tomar tudo pra si. Coogler deixa claro mais uma vez que a união de um povo é a principal arma contra o inimigo que se faz de ovelha, mas na verdade é o próprio lobo.

Wakanda permanece forte e pacífica, porém devido a sua revelação para o mundo, outros reinos que não se sabia da existência, acaba sendo exposto e é assim que nos é apresentado o reino de Atlântida, comandada pelo deus “Kukulkan” conhecido pelos seus inimigos como “Namor”. Interpretado pelo talentoso ator Tenoch Huerta, Namor se torna a principal ameaça para Wakanda sob um reino ainda desolado pela perda do rei. O personagem ganha muitas camadas e uma mitologia fantástica. A autenticidade da mitologia Azteca e a representatividade que ela tem no filme é de encher os olhos, sem dúvidas é o ponto alto do filme, não poderia haver uma representação melhor do personagem. Namor chega no Universo Cinematográfico da Marvel com o mesmo peso que o Pantera Negra teve, só que com asinhas nos pés (rs).

O filme conta com uma decisão difícil sobre como seguir sem seu principal personagem e deve escolher quem deve vestir o manto e manter o legado do Pantera Negra. Na escolha, nunca ouve dúvidas sobre quem levaria o manto, porém os caminhos tomados pela pessoa são os mesmos que o Pantera Negra de Chadwick Boseman viveu e a narrativa se torna repetitiva e sem nenhuma novidade importante e mostra que ele mesmo não soube passar a reflexão que ele teve ao decorrer de sua vida como Pantera e acaba frustrando que gostaria de ver algo novo e um pouco mais corajoso por parte do roteiro. Além disso, outro problema bastante evidente é na narrativa de alguns personagens secundários como Riri Williams / Coração de Ferro (Dominique Thorne) e Nakia (Lupita Nyong’o) no qual são criadas situações isoladas, criam-se expectativas e no fim não leva a nada, mesmo que as duas personagens demonstrem o carisma necessário para o papel.

Mesmo enfrentando várias polêmicas envolvendo vacinas e covid, Letitia Wright volta a cena e se torna a principal personagem do filme, trazendo de volta sua personagem Shuri que precisa lidar com grandes perdas e estabelecer um caminho para que Wakanda possa sobreviver. A cena inicial do filme parece que foi feita pra que o público esqueça da polêmica e possa acreditar na personagem como uma grande e brilhante cientista.

Um dos acertos do filme é transformar Wakanda como personagem da narrativa e dar um pouco mais de profundidade nas suas relações e também trazer uma situação parecido como o reino de Atlântida, isso faz com que algumas características possam ser vistas de forma mais clara, sendo assim é possível identificar a identidade desse povo que se tornou a maior nação do planeta.

Pantera Negra: Wakanda Para Sempre é um filme muito emocionante devido a todas as situações fora de tela e homenageia Chadwick Boseman do começo ao fim. O filme também apresenta Namor, que se torna um dos melhores vilões da Marvel, no qual Tenoch Huerta interpreta com maestria e traz o caos para Wakanda e o Mundo com sua mitologia. Tirando alguns problemas de narrativa e sua duração exagerada, o filme apresenta boas discussões sobre união e também abre caminho para outros heróis brilharem, além do personagem principal. Nota: 3/5

Guilherme
Guilhermehttp://geeksaw.com.br/
Primeiro Batman antes de Bruce Wayne. Extrovertido e sem graça. Uma mistura de piadas ruins e clichês, e um senso de humor gigante para rir delas. Editor chefe do GeekSaw. Apaixonado pela "Bigscreen" e por tudo que é novidade.

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