American Gods, uma série ambiciosa, violenta e surpreendente
American Gods, uma série ambiciosa, violenta e surpreendente, pode causar um pouco de estranheza ao público da TV, mas é uma grande aposta para exibição em stream
30.04
2017
American Gods, uma série ambiciosa, violenta e surpreendente

American Gods‘, ou Deuses Americanos, um grande sucesso da literatura dos Estados Unidos, estreia sua adaptação para a TV. Produzida pelo canal Starz, estará disponível no Brasil dia 1º de maio, pela plataforma de streaming da Amazon Prime Video. O GeekSaw assistiu aos 4 primeiros episódios da série, que surpreende logo de cara pela qualidade visual da produção.

Um romance nada convencional lançado em 2001 pelo escritor Neil Gaiman, American Gods é uma história onde os deuses são reais e conduzem uma batalha contra os novos mitos pela atenção da humanidade. Assim como no livro, American Gods começa mostrando o protagonista Shadow Moon (Ricky Whittle), em seus últimos dias na prisão. Poucos dias antes de ser solto, Shadow conversa ao telefone com sua esposa, Laura Moon. Em seguida recebe a notícia de que a esposa, interpretada por Emily Browning, morreu de forma inesperada. E as cenas que aparentam um pouco de normalidade na série, acabam por aí.

Já fora da prisão, ao pegar um avião para voltar pra casa, Shadow ganha um upgrade para a 1ª classe e conhece um homem muito misterioso que se apresenta como Mr. Wednesday, interpretado pelo incrível Ian McShane, que se mostra uma ótima escolha para um personagem tão peculiar. Mr. Wednesday, na verdade, é Odin, deus nórdico do conhecimento e sabedoria, que contrata Shadow para viajar com ele, recrutando antigos deuses para recuperar sua força perante a humanidade.

A série mostra alguns eventos do passado, quando os homens acreditavam em criaturas mitológicas muito poderosas que necessitavam de sacrifícios para conceder os seus desejos. A história faz um paralelo com os deuses atuais, que tornam as coisas mais fáceis e mais atraentes. É como explica o próprio autor, Neil Gaiman: “Os Deuses Americanos baseiam-se na idéia de que, ao longo dos anos, todas as pessoas que vieram para a América trouxeram seus deuses com eles. E eles são trapaceiros, eles são envolventes, eles trazem força. Estes são os deuses antigos.  Agora você tem um monte de deuses ‘brilhantes’. Deuses da internet, do telefone, da mídia, das finanças. Coisas que os americanos estão dando todo o seu tempo, amor e atenção. Eles estão ficando mais poderosos e vai haver um confronto. A guerra está chegando”.

Um dos exemplos é a deusa Media (Gillian Anderson), que conduz a TV e a mídia em geral conforme a sua necessidade, se alimentando da audiência. Junto com o deus da Tecnologia (Bruce Langley), é um dos mitos modernos criados dentro de nossa própria casa.

No meio dessa guerra entre novos e antigos deuses em busca da atenção humana, está Shadow, um homem sem muitas emoções e crenças, que não sabe bem qual é o seu papel no centro deste violento conflito mitológico. Ao mostrar as descobertas do protagonista, a série é visualmente surpreendente, apresentando cenas onde Shadow acha que está alucinando com um fabuloso Centauro e, de repente, se vê dentro de um universo no maior estilo Matrix, sendo interrogado pelo jovem deus da Tecnologia. É realmente surreal, o que pode incomodar um pouco os espectadores que não estão habituados com o universo de fantasia criado por Neil Gaiman e tão bem reproduzido pelos produtores Bryan Fuller e Michael Green.

American Gods é cheia de momentos de fantasia, interlúdios com cenas muito interessantes, que vai agradar quem leu o livro original, mas pode confundir um pouco os novatos, pela forma aleatória com que os deuses são apresentados. Para o público que vai acompanhar a série pelo serviço de streaming, é comum assistir uma história com desenvolvimento mais lento, mas a paciência do público em geral é que deixa dúvidas sobre o sucesso da produção na TV, já que ela será exibida nos Estados Unidos pelo canal Starz.

A abertura da série é alucinante e um tanto perturbadora. Cowboys de neon, centauros, Budas assustadoramente sorridentes, astronautas crucificados, alguns ícones divinos do antigo Egito, todos reunidos formando um grande totem no final.

A fotografia, que ficou a cargo de David Slade, é sombria e muito bonita. A comparação com um dos projetos anteriores de Slade, que também tinha roteiro de Bryan Fuller, é inevitável. Hannibal, exibida entre 2013 e 2015 pelo canal NBC, apesar de ter sido cancelada, foi um marco visual na produção de séries para a TV aberta. American Gods, assim como sua antecessora, exibe muito sangue, fraturas expostas, chuva em câmera lenta e seres mitológicos assustadoramente reais.

Assistindo aos 4 primeiros episódios da série, podemos dizer que vale a pena esperar o desenvolvimento da história de American Gods. Seja pelo visual, pelo entretenimento ou para saber onde essa loucura toda de Neil Gaiman vai terminar. O elenco de deuses também é muito atrativo. Ian McShane, Pablo Schreiber, Crispin Glover, Yetide Badaki, Bruce Langley, Gillian Anderson, Kristin Chenoweth, Peter Stormare, Cloris Leachman e Orlando Jones estão apresentando seus poderes com muita desenvoltura.

Assista ao trailer de American Gods (Deuses Americanos), que estreia mundialmente dia 1 de maio pela Amazon Prime Video:

Webdesigner, jornalista, gosta de esportes (principalmente tênis), cinema e de gente talentosa. www.amaisdesign.com.br

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Tema por Gabriela Gomes