Crítica – Homem-Aranha: De Volta ao Lar
01.07
2017
Crítica – Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Os fãs do Cabeça-de-Teia, após três anos do seu último filme solo (O Espetacular Homem-Aranha 2), poderão conferir Peter Parker de volta às suas origens em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, com uma história completamente diferente do que vimos nas suas últimas encarnações.

A Sony e Marvel Studios, após muitas negociações, finalmente entraram em acordo para compartilhar o personagem entre os estúdios, inserindo-o no Universo Cinematográfico da Marvel de vez. Depois de uma pequena – mas extremamente empolgante – participação em Capitão América: Guerra Civil, ele volta para os cinemas com seu novo filme solo.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar chegará aos cinemas no dia 06 de Julho, confira a sinopse:

Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida, já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão da sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

Em Homem-Aranha: De Volta ao Lar o jovem Peter Parker, com seus poderes aracnídeos, tenta sobreviver a mais um ano letivo. Sim, a trama do filme se passa na maior parte do tempo na escola de Peter. Vemos Parker tentando se enturmar, ao mesmo tempo em que ele se torna o “Amigão da Vizinhança”.

A escalação de Tom Holland é crucial para a nova franquia. O jovem ator conseguiu usar toda a essência de Peter Parker nos quadrinhos e convence. Sua habilidade acrobática torna seu personagem mais real e pé no chão. Diferente de outras encarnações do Homem-Aranha, que tentavam de forma “plástica” criar um clima escolar. É neste momento que Holland mostra seu grande potencial como ator. Claro que para conseguir isso é necessário um grande elenco de jovens que se encaixam exatamente em seu lugar, permitindo que o protagonista se desenvolva. Enquanto Liz Allen (Laura Harrier) se torna a paixão de Peter na escola, Ned Leeds (Jacob Batalon) é o maior amigo de Peter. Todos eles moldam a forma como Peter pensa sobre o mundo e em como é importante que sua identidade seja mantida em segredo.

Holland consegue passar essa “pegada” adolescente da nova era, tornando fácil a identificação do espectador. Ele é como qualquer um de nós, que se vivêssemos num mundo com heróis tentaríamos nos divertir ao máximo com todos os acontecimentos e contando vantagem sobre conhecer Os Vingadores. Mesmo assim, ele ainda continua com problemas em se relacionar, mesmo sabendo que se contasse seu maior segredo tudo isso mudaria, enfatizando sua maturidade em lidar com isso.

Era exatamente isso que nós, fãs do teioso, esperávamos. O roteiro consegue nos trazer isso de maneira simples com toda uma atmosfera adolescente e rebelde. As próprias referências feitas no filme como “Curtindo a Vida Adoidado” e “Star Wars” servem de inspiração para o dar esse estilo jovial.

Se você espera por grandes batalhas ou algo incrivelmente épico de Homem-Aranha, pode acabar se decepcionando. O grande foco do filme são as interações de Peter Parker com sua vizinhança e a forma que ele lida com as lições de Tony Stark. Ele também coloca o espectador no chão, por dentro dos escombros de maneira mais profunda do que aconteceu com Nova York após o grande confronto do primeiro filme dos Vingadores. O que deixou a desejar foram as lutas do Homem-Aranha contra o vilão Abutre, vivido por Michael Keaton. Na verdade, toda ação do filme é deixada em segundo plano, tornando o longa diferente de todos os outros da Marvel.

O Abutre, vivido por Keaton, é um vilão que desperta simpatia, mesmo sabendo das suas intenções. Aliás, não fica exatamente claro se o Abutre é realmente um vilão ou se o personagem se encaixa no meio termo de tudo isso. Keaton, obviamente conseguiu jogar com maestria essa dúvida para o público. Mesmo o personagem não sendo um dos primeiros escalões do Homem-Aranha, ele deixa um gosto de “quero mais” para o espectador.

É impossível não comparar Homem-Aranha: De Volta ao Lar com um tal de Deadpool. São filmes que parecem irmãos e seus personagens são bastante parecidos. Enquanto Deadpool se diverte matando bandidos e brincado com tudo o que está acontecendo, o mesmo acontece com o Homem-Aranha, mas de uma maneira mais leve. Vemos nosso herói se divertindo ao caçar os vilões ou ajudar velhinhas nas ruas. O filme é tão divertido quanto Deadpool e promete fazer um enorme sucesso, pois se enquadrará tanto para o público infantil (mesmo que sua classificação seja 12 anos) quanto para o público mais velho.

O timming da Sony junto da Marvel em lançar o longa em Julho, mês das férias escolares, foi certeiro, pois o é um filme pipoca de família e de fácil entendimento. Suas piadas e situações engraçadas são um prato cheio para o grande público sair extremamente feliz dos cinemas. É a mesma formula Marvel que estamos acostumados, mas em uma aventura mais adolescente.

Robert Downey Jr. é realmente a alma do negócio da Marvel. Ele consegue brilhar em todas as cenas com seu personagem Tony Stark / Homem de Ferro mesmo com pouco tempo de tela. Não a ponto de roubar Peter do protagonismo, mas a mudança de pensamento de Tony após os acontecimentos de Guerra Civil o torna um grande mestre para os novos membros do universo, e sua figura se encaixa facilmente nesta nova fase do herói.

Conclusão
Homem-Aranha: De Volta ao Lar é aquilo que todos os fãs esperavam de um filme do Cabeça-De-Teia, apesar das cenas de ação deixarem um pouco a desejar em comparação a outras grandes lutas que vemos em outros filmes de heróis. Ele tem todo o drama adolescente escolar, que é o grande foco do filme junto com suas aventuras como “Amigão da Vizinhança”, ajudando velhinhas nas ruas e combatendo o crime no âmago da cidade de Nova York. Sua característica simples o coloca entre os melhores filmes do herói, ao menos aquele que soube realmente trabalhar a questão mais importante do herói. O filme é divertido e garante boas risadas de todos os públicos através de situações inusitadas – e principalmente do melhor amigo de Peter, Ned Leeds –. Seu vilão poderia ser melhor construído, mas mesmo assim consegue deixar um gostinho de “quero mais”. Homem-Aranha: De Volta ao Lar é sem sombras de dúvida o filme de herói mais engraçado e divertido do ano.

 

ATENÇÃO: O Filme possuí cenas pós-créditos.

Nota: 8,5

Primeiro Batman antes de Bruce Wayne. Extrovertido e sem graça. Uma mistura de piadas ruins e clichês, e um senso de humor gigante para rir delas. Editor chefe do GeekSaw. Apaixonado pela "Bigscreen" e por tudo que é novidade.

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Tema por Gabriela Gomes