Crítica - Coringa
30.09
2019
Crítica – Coringa

Ambientado nos anos 80 em uma GothamCity que vive sobre uma crise do lixo em que ratos mutantes estão se formando é um dos piores lugares para que um grande vilão tome forma e esse é o lugar em que Coringa (Joaquin Phoenix) dirigido por Todd Philips é criado de uma forma melancólica do maior vilão do Batman e da DC Comics.

Confira a sinopse:

“O comediante falido Arthur Fleck encontra violentos bandidos pelas ruas de Gotham City. Desconsiderado pela sociedade, Fleck começa a ficar louco e se transforma no criminoso conhecido como Coringa.”

O filme retrata a vida miserável de Arthur Fleck, um palhaço profissional que tenta ganhar à vida em meio a uma enorme crise na cidade de Gotham City. O personagem que é interpretado por Joaquin Phoenix é envolto de um ambiente completamente hostil para uma pessoa com problemas mentais que vive à margem da sociedade. A jornada do personagem é espinhosa e bastante chocante em todos os sentidos e evoca a essências dos quadrinhos no tocante de sua loucura. Aliás, pouco dos quadrinhos é utilizado nessa história de origem, porém algumas alegorias estão presentes e em muitos sentidos é parecido com A Piada Mortal de Alan Moore, porém nunca nos quadrinhos uma aparição tão melancólica e perturbadora do Coringa havia sido abordada e vemos nesse personagem algo além das páginas que mudará a forma como o Coringa será mostrado daqui para frente.

O roteiro faz uma dança sincronizada entre a loucura e a descrença na forma em como a realidade é apresentada ao personagem, que em sua trajetória enfrenta a rejeição de dentro e fora de casa. Na história é colocada em cheque a sociedade que cerca o personagem, colocando em um caminho completamente errado, mas que faça sentido para a essência do personagem que conhecemos. O mais interessante é em como ele vai crescendo no decorrer do filme e vai ficando perceptível cada vez mais seu nível calculista e ao mesmo tempo caótico. Ele cria situações em sua mente para empoderar ainda mais seu sofrimento e maquinando seu próximo ato mesmo que seja involuntário. É a mente liberando barreiras para que seus atos sejam justificados. A violência em sua forma mais bruta e vil mesmo que seja de forma comedida, mas ela se torna pessoal e é bastante perigoso nesse sentido para a sociedade que vivemos hoje. Fica aqui o alerta de que esse filme deveria ser para maiores de 18 anos!

O diretor Todd Philips surpreende em todos os sentidos, sabendo que ele é o mesmo diretor de Se Beber Não Case. Sua direção é essencial para mostrar os vários aspectos caóticos desse personagem que vive na linha tênue da realidade cruel e da doce mentira.

Todo o roteiro e direção do Coringa foi feito sob medida para Joaquin Phoenix brilhar em sua caracterização do popular vilão. O ator aparece irreconhecível e em sua atuação muitas das vezes você se perde no personagem e esquece que aquilo é uma atuação. A energia utilizada para a encarnação do personagem é imensa e isso transcende a tela de forma com que o espectador não saiba o que esperar da história e se insira nesse ambiente hostil e isso meus amigos é o poder dessa atuação magnifica. Além disso, temos a risada perturbadora que é uma marca registrada do personagem, que no filme pode ser explicada por causa de algum tipo de AVC que personagem possa ter sofrido na infância e gera um tipo de transtorno neurológico, pois elas são incontroláveis e mostram a dor causada ao dar gargalhadas de forma involuntária. A risada do Coringa de Joaquin Phoenix é a mais perturbadora possível.

Lawrence Sher fez um excelente trabalho em Godzilla: Rei dos Monstros e mostra um trabalho muito superior em Coringa. É incrível sua ambientação e torna a atuação de Phoenix ainda mais assombrosa e vil, mostrando o quanto um ambiente simples pode te levar a loucura.

Minha sensação ao sair do cinema foi de completo pânico e êxtase ao mesmo tempo, pois obviamente é uma grande obra do cinema e vai mudar a forma como vemos o cinema de quadrinhos. Coringa é um marco na história em quadrinhos na grande tela e um marco cinematográfico ao mesmo tempo. A referência a Taxi Driver e O Rei da Comédia são evidentes e a adição de Robert De Niro saúda esses grandes filmes ao mesmo tempo em que se cria algo novo.

 

Conclusão

Coringa é uma obra que moldará o cinema nos próximos anos, pois tanto em sua parte técnica como individualmente se sobrepõe sobre os filmes do cinema no século XXI. Ele apresenta esse grande vilão da DC Comics de uma forma nova, porém, reconhecível em muitos pontos da trama. O filme de origem do Vilão é algo que certamente pode ser abordado em continuações e seria inserido como uma luva no novo universo da DC, mesmo que todos neguem que isso pode acontecer. Coringa é um filme ousado e novo, algo que outras produtoras nunca iriam sugerir lançar e pode ser um novo começo da DC Comics nos cinemas. A atuação de Joaquin Phoenix é digna de um Oscar, já que sua indicação é certa.

 

Nota: 5/5

 

Coringa chega aos cinemas em 03 de Outubro.

Primeiro Batman antes de Bruce Wayne. Extrovertido e sem graça. Uma mistura de piadas ruins e clichês, e um senso de humor gigante para rir delas. Editor chefe do GeekSaw. Apaixonado pela “Bigscreen” e por tudo que é novidade.


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Tema por Gabriela Gomes