Crítica | Tomb Raider: A Origem
28.03
2018
Crítica | Tomb Raider: A Origem

Em 1996 foi lançado o primeiro jogo da franquia Tomb Raider. Temendo não ter identidade, dado às semelhanças com Indiana Jones, o jogo que inicialmente foi planejado com um protagonista homem, trouxe uma mulher como personagem principal: Lara Croft. Desde então, a franquia ganhou vários jogos, quadrinhos e três longa-metragens. As diversas adaptações demonstram o sucesso da franquia, e principalmente de Lara, que é vista como uma das personagens mais importante dos videogames. Após dois filmes protagonizados por Angelina JolieTomb Raider ganha uma nova versão cinematográfica menos hiper sexualizada e baseada no reboot da franquia de jogos em 2013. 

Lara Croft é a independente filha de um aventureiro excêntrico que desapareceu anos antes. Com a esperança de resolver o mistério do desaparecimento de seu pai, Lara embarca em uma perigosa jornada para seu último destino conhecido – um túmulo lendário em uma ilha mítica que pode estar em algum lugar ao largo da costa do Japão. As apostas não podiam ser maiores, pois, Lara deve confiar em sua mente aguda, fé cega e espírito teimoso para se aventurar no desconhecido. 

O game, desde seu primeiro jogo, ficou famoso por conta de seus intrigantes puzzles, que para serem resolvidos utilizavam tanto as habilidades mecânicas do jogador quanto as intelectuais; de percepção; investigação; localização espacial; etc. Contudo, a narrativa nunca foi o forte da franquia, os enredos eram sempre rasos e confusos e o que se destacava mesmo eram os desafios. Afinal, não era incomum gastar horas refazendo uma fase em busca de um item ou alguma maneira de avançar no jogo. Foi em 2013, com o reboot da franquia, que isso mudou: o game trouxe uma trama mais complexa e os difíceis quebra-cabeças foram deixado de lado para dar foco à aventura narrativa. A Lara, anteriormente estática e perfeita, foi substituída por uma versão mais nova e mais passível de falhas, mais humanizada e com um maior desenvolvimento. O reboot, assim como sua protagonista ganharam um novo foco: a sobrevivência. 

Desde que foi anunciado, o filme demonstrava que iria seguir os passos do reboot. Não foi à toa que a trilha sonora do trailer era um cover de Survivor, do Destiny’s Child’s. Dirigido por Roar Uthaug (A Onda), Tomb Raider tenta recriar o jogo homônimo em uma adaptação cinematográfica de uma maneira fiel, quase como uma “cópia” do game. Contudo, há pontos positivos e negativos nessa adaptação: filmes e jogos são mídias diferentes, com experiências diferentes, enquanto nos games, o player tem um papel ativo, aqui, ele é um mero espectador. Desse modo, o longa é quase que uma experiência reduzida dos jogos, uma vez que, não possuí jogabilidade e não adiciona nada que assegure uma identidade própria. 

Com exceção das lutas, que em geral são desnecessariamente tremidas e confusas, há várias sequências de ações que parecem terem sido tiradas diretamente do game, tanto em questão do CGI quanto na movimentação, ambientação e etc. O enredo também bebe da mesma fonte, mas com algumas alterações que em geral se mostram prejudiciais ao longa. É dado importância à relação de Lara com seu pai, Richard Croft (Dominic West), contudo, o longa leva muito tempo para contar isso e cria até uma negativa “dependência” da parte de Lara, símbolo de independência e autonomia. O vilão, Mathias Vogel (Walton Goggins), é raso e não apresenta nada de interessante, está lá apenas por ser necessário. 

O maior acerto do filme fica justamente no desenvolvimento de Lara, junto à excelente atuação da vencedora de Oscar, Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa, Jason Bourne), que vai bem tanto nas cenas de ações quanto nas de drama. Lara, é uma personagem em contata desenvolvimento, ela não é a maior artista marcial, arqueóloga, mas sim, a maior sobrevivente. Seu potencial infinito é o seu verdadeiro poder. Ao mesmo tempo em que a personagem faz várias acrobacias improváveis, ela também é mostrada como humana. Destaque para toda a emocional e desafiadora sequência em que ela está machucada e sozinha na floresta. Ali, diante de uma situação impossível, a personagem se como uma verdadeira sobrevivente. 

Portanto, vendo o longa de forma isolada ao game, ele é uma experiência descompromissada e competente para o gênero. Se visto como adaptação, ele reproduz várias cenas e faz diversas referências à franquia, mas não conquista na identidade própria. Tomb Raider: A Origem não é a pior adaptação cinematográfica de um jogo, contém várias cenas e referência interessantes e é fiel à franquia. Por fim, apesar de não se destacar em quase nenhum aspecto, no geral a experiência é positiva.  

Tomb Raider: A Origem está em exibição nos cinemas.

Nota: 7 

Atual estudante de Jogos Digitais. Ex-estudante de Física, Psicologia, Produção de Áudio e Vídeo e até mesmo Edificações. Todas incompl….Segue o Fluxo! Todas essas mudanças acontecem, pois eu gosto sempre de ver as coisas acumulando o maior número de perspectivas possíveis, na busca de uma epifania. Tudo o que aprendi anteriormente compõe o meu senso crítico atual, que me instiga sempre a querer saber e entender os porquês das coisas, analisar. Para mim, atualmente o maior mistério do universo é: porque chamam o Batman de Cruzado Encapuzado?


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Tema por Gabriela Gomes