Crítica – Mulher-Maravilha 1984 é mais colorido, profundo e otimista

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A Warner Bros. Pictures está trazendo para o Brasil na próxima quinta-feira (17) a continuação do aclamado filme solo da Mulher-Maravilha em uma nova aventura, em um passado mais recente, mais precisamente em 1984, título do filme.

Confira a sinopse:

“Como arqueóloga, a Diana que trabalha no museu Smithsonian, é uma Mulher-Maravilha que tem super poderes extraordinários, podendo ser a heroína mais forte do mundo. Em 1984, a Mulher-Maravilha está em um desesperador perigo mortal na face de uma enorme conspiração do empresário Max, que canta alto para satisfazer os desejos das pessoas, e uma inimiga misteriosa, a Mulher-Leopardo (Kristen Wiig). A Mulher Maravilha pode impedir o colapso do mundo sozinha?”

Com a direção de Patty Jenkins em mais uma aventura da heroína, o filme chega de uma maneira completamente diferente do primeiro, que estava envolta de grandes polêmicas envolvendo o estúdio com seu lançamento que sucedia Esquadrão Suicida e Batman vs Superman e foi no filme da semi-deusa que a DC encontrou um divisor de águas para seus lançamentos. Bem, o filme ainda encontra polêmicas envolvendo o estúdio, mas com o sucesso do seu antecessor Patty Jenkins teve total liberdade para mostrar o que queria sobre a heroína.

Dessa vez encontramos Diana Prince / Gal Gadot em 1984, onde ela trabalha em um museu na verificação e armazenamento de monumentos antigos. É possível dizer que ela já se encontra no meio da sociedade, salvando as pessoas da cidade e limpando seus traços para que ninguém possa registrar que ela realmente esteve ali. O filme conta com um espetacular e colorido visual da Mulher-Maravilha, bem como seu ambiente que é envolto de cores vivas e impactantes. No filme fica claro as diferenças entre Diana e Mulher-Maravilha que mesmo sendo a mesma pessoa, ela se transforma completamente quando se está no traje de guerreira amazona e mostra que todo o prazer de estar em ação e combater o crime, porém também é mostrado a profunda dor que ela sente de não poder compartilhar o mundo com a perda da pessoa amada e isso tira o seu brilho na hora de ser Diana Prince. Sua vida particular perde o gosto por viver e pelo o que está em sua volta, colocando a personagem em um dilema muito grande que envolve todo o filme.

A trama gira em torno de uma pedra que concede os desejos, o que parece nos levar à uma aventura de filme de sessão da tarde, onde a realidade pouco importa e ele não se prende ao transformar o mundo em caos. Na verdade, a aventura pouco importa, pois muitas coisas são jogadas ao espectador como referências aos quadrinhos, com elemento muito conhecido pelos fãs, mas que foram usados de forma e não como combustível para o desenrolar da trama. O que importa mesmo é a sensação que o filme traz ao espectador, mesmo com aquele momento lindo de reencontro ele transforma aquilo em uma coisa amarga que o espectador consegue quase sentir, mas não quer acreditar que tudo aquilo precisa ter um fim.

O filme é denso nesse sentido e exige muito de Gal Gadot que consegue entregar todas as emoções necessárias para o filme não ficar caricato. Após isso o filme sobe patamar expressivamente. O que antes parecia uma aventura despretensiosa, no fim define a personagem na verdadeira heroína que ela é, abdicando de tudo o que ela quer, para se tornar aquilo que o mundo precisa. Ela se transforma num símbolo otimista, mesmo com suas lutas pessoais. Outro elemento importante é a trilha sonora de Hans Zimmer, que se transforma junto com o personagem assim como foi feito em Batman vs Superman, quando o pequeno Bruce caí em um buraco de morcegos e consegue emergir junto com aquilo, ganhando sua identidade à partir dali, Diana tem em seu filme quando ela emerge como uma verdadeira heroína.

Além de toda essa carga e profundidade do filme, ele tem muitas cenas “Girl Power” que coloca a personagem quase como um símbolo de esperança para as mulheres.

Existem dois problemas no filme, um se deve ao fato da vilã Mulher-Leopardo interpretada por Kristen Wiig ser o oposto da Amazona, mas é uma vilã quase que desnecessária para o filme pelo fato de simplesmente existir sem necessidade alguma. Alguns elementos das Hq’s foram preservados, e é inspirado no enredo dos acontecimentos da DC, o “Renascimento”. Porém ela é pouco utilizada e seu desfecho é decepcionante.

As cenas de ação do filme são bem mais elaboradas que o primeiro e com um toque um pouco mais “absurdo” nos movimentos de Diana. Em um dos trailers ela consegue pegar uma tiro em movimento com o laço da verdade e isso acaba destoando um pouco, pois ela acaba sendo acertada em quase todo o filme. Mas toda a CGI do filme é de ótima qualidade, apresenta momentos realmente épicos, mas destoa no final quando vemos o grande embate entre Mulher-Maravilha contra Mulher-Leopardo.

O “vilão” maior do filme que é interpretado por Pedro Pascal, o charlatão Maxwell Lord é o grande “às” que Diana precisava no filme, pois o personagem entra em uma escala “cinza” da trama e ele em seu embate filosófico com Diana trouxe um desfecho muito mais importante e otimista.

O filme pode chamar Mulher-Maravilha 1984, mas poderia muito bem ser chamado em Mulher-Maravilha 2020 pois caberia muito bem na situação em que vivemos e na mensagem forte e o otimismo necessário para ter força para lidar com essa pandemia. Devo dizer que pessoalmente devido a tudo o que está ocorrendo nos últimos dias, me emocionei no fim.

Conclusão

Mulher-Maravilha 1984 tem um tom bem diferente do seu primeiro filme, pois ele aborda questões muito mais densas e filosóficas e enaltece a grande heroína que ela é. Gal Gadot traz de volta a personagem carismática e forte e nos momentos mais difíceis ela consegue se superar e entregar uma grande atuação. É emocionante, é girl power e a mensagem é a mais atual possível. O filme falha somente em entregar uma vilã que não mostrou para o que veio e em alguns exageros desnecessários nas cenas de ação, mas nada que tire a empolgação de cenas épicas.

Nota: 4/5

OBS: Não foi mostrada para a imprensa a cena pós-créditos do filme, porém a diretora confirmou que haverá nas sessões para o público.

Mulher-Maravilha 1984 chega aos cinemas em 17 de Dezembro de 2020.