Análise – Far Cry 6 (PS5)

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Depois que a Ubisoft acertou em cheio em criar um dos vilões mais elaborado e carismático como o Vaas para Far Cry 3, que foi capaz de roubar os holofotes do protagonista (tarefa até fácil por sinal) tivemos uma sequência muito boa de vilões, com o Pagan no quarto jogo e o Joseph no quinto, além é claro das gêmeas Mickey e Lou em New Dawn. Isso acabou se tornando uma marca em todos esses títulos, onde o antagonista brilhava mais que o protagonista em certos momentos do jogo.
Agora temos um novo título e mais um antagonista de peso para nos preocuparmos, Far Cry 6 apresenta Antón Castillo, o presidente eleito de “Yara“, uma ilha fictícia localizada no coração do Caribe, onde por 47 anos Yara mergulhou na miséria, e agora com Castillo no poder tem a chance de prosperar e dar dias melhores para seu povo, ou será que não?

As histórias de Far Cry sempre buscam nos prender nos primeiros minutos de cutscene, e a introdução do sexto capítulo não seria diferente, Antón Castillo Castillo tem o charme e a autoridade necessária para isso, com um discurso convincente, coisa que todo político sempre tenta demonstrar, mas na verdade as intenções não são o que realmente é dito. Buscando reparar todo o sofrimento de Yara ele recruta aleatoriamente pessoas através de um sorteio para trabalhos em campos de colheita para armazenar “Vivero“, um produto criado a partir do tabaco modificado com o mais puro fertilizante, produto este que combate o câncer, e na visão dos cientistas de Yara é o melhor tratamento já encontrado, e é com ele que Castillo vai tirar Yara da miséria, podendo comercializa-lo pelo mundo todo. As intenções parecem as melhores, porém a verdade é que como sempre acontece, a classe escolhida nesses sorteios sempre são as mais pobres, e aqueles que se negam a fazer parte são mortos na hora.
Não aceitando a situação, um grupo de combatentes tenta fazer frente ao regime autoritário e mentiroso de Castillo, intitulados de “Libertad” esse grupo, ridiculamente em menor número também faz seu alistamento, porém de forma verdadeiramente opcional, aquele que tiver motivos suficientes ou simplesmente é contra a opressão que lhes é imposta é bem vindo a se juntar a causa, e nesse contexto que conhecemos “Dani“, um homem/mulher (você pode mudar o gênero do personagem mas o nome ainda será Dani), com habilidades e treinamento militar e amigo de “Lita” que faz parte dos Libertad. Lita tenta trazer Dani para o lado dos Libertad, mas Dani quer fugir de tudo isso e ir para os Estados Unidos afim de ter uma vida melhor e um recomeço, porém tudo da errado quando um amigo próximo a eles é morto por um dos soldados que faziam recrutamento, a partir daí Dani mesmo relutante em fazer parte do grupo rebelde começa a pensar a respeito e eventos futuros iriam definitivamente colocar o guerrilheiro frente a frente as forças de Castillo.

Como todo bom Far Cry este título precisava de uma mapa aberto e grande, e aqui se encontra o maior de todos, desde áreas construídas até áreas de vegetação e lagos/oceano, serão horas de exploração, e sempre com algo para fazer, será muito difícil você andar pelo mapa sem aparecer alguém com alguma missão ou algum grupo armado de Castillo para ser enfrentado.
Felizmente Dani estará bem servido de transporte, a medida que o jogo vai avançando novos meios de locomoção serão habilitados, e conforme Dani os vai encontrando na jornada também pode-se levá-los para locais seguros e assim incluí-los ao acervo. Teremos a disposição carros, caminhões, motos, buggys, cavalos, aviões, helicópteros, lanchas, jet skis e porque não tanques de guerra, basta pegá-los do exército e serão seus para usá-los quando quiser. Alguns destes transportes ainda possuem uma variação militar, com metralhadoras montadas para alguns carros, ou lança-foguetes nos helicópteros. Mas como nem tudo são flores, você não encontrará determinado veículo em qualquer lugar, terá que estar no ponto certo onde aquele veículo está disponível para ser “invocado”, acho que está é a definição correta, pois após pedir a entrega do mesmo ele simplesmente aparece atrás de Dani. Uma coisa bem engraçada com esta mecânica é que foi introduzido ao jogo diálogos que remetem diretamente no momento que tentamos chamar algum veículo, e uma das frases que Dani diz ao chamar um cavalo por exemplo soa muito cômico e parece até ser tirada de um dos episódios do Pica-Pau, ele diz após chama-lo e este aparecer do nada; “Cavalo instantâneo” com um ar de deboche, realmente na primeira vez que escutamos isso soa muito engraçado. E parece que os produtores colocaram vários tipos de piadas em momentos específicos, podemos pegar os veículos dos amigos guerrilheiros ou pessoas comuns em Yara, eles nos entregam com muita boa vontade porém nem todos são assim, ao pedir um cavalo para uma moradora que passava, ela soltou, “Vou ter que ir a pé, babaca”! Coisa meio grosseira de dizer para alguém que está tentando salvar toda a ilha, mas tudo bem, vamos em frente.

Mesmo com o mapa aberto e gigantesco de Far Cry 6, os primeiros minutos são focados em uma determinada parte da ilha, e mesmo assim já é bem grande, e quando você avança está etapa descobre que estava apenas na ponta do iceberg, o mapa completo é revelado e seus pontos de interesse, tudo muito bem explicado nas palavras de “Clara“, a líder dos Libertad, ela fala para Dani que o ajudaria a fugir cedendo um de seus barcos se ele a ajudasse com uma tarefa, e mesmo com está tarefa cumprida e o favor pago, Dani resolve que não é hora de fugir, e sim lutar por aqueles que não podem, como sua amiga Lita queria.
Devido ao treinamento militar Dani não tem nenhuma dificuldade em lidar com todo o arsenal que lhe é fornecido, e não preciso citar o quão vasto é este arsenal, porém, o diferencial fica por conta das “Armas de Gambiarra”, que são equipamentos modificados e feitos com muita sucata encontrada, mas não menos letais do que as armas convencionais.
Além de criar estas armas, o jogador também poderá melhora-las e todas as outras também, em bancadas encontradas em pontos seguros, basta gastar um pouco da sucata e dinheiro local chamado de “Peso Yaraense“. Além das Armas de Gambiarra temos também “Os Supremos”, armas extremamente poderosas que Dani carrega como uma mochila e são como um golpe especial, deve-se encher uma barra localizada no canto inferior direito da tela e quando cheia libera o uso do Supremo, são vários que podem ser criados, e “Juan“, um dos NPC’s mais importantes que ajudou a criar os Libertad irá tratar de explicar o funcionamento de todos eles para você.

Todo esse poder de fogo vai te ajudar a tomar os postos avançados de Castillo, espalhados por toda Yara, além de soldados, eles terão cães de guarda e até animais selvagens presos em jaulas, que podem ser soltos e usados contra os próprios soldados, os postos também possuem alarmes sonoros que ao acionados chamam reforços dificultando a vida de Dani, então tenha em mente que uma abordagem furtiva também é bem vinda em várias situações.

A ilha de Yara tem muito mais a oferecer do que só conflitos com o exército de Castillo, há muita coisa pra ser explorada, e a maioria das pessoas vão te pedir favores que se cumpridos rendem boas recompensas. Também há a possibilidade de fazer corridas de jet Ski, ou entrar em uma rinha de galos no melhor estilo jogo de luta. Para um melhor resultado nessa rinha, o jogador pode encontrar galos mais fortes espalhados por toda Yara, alguns você pode conseguir cumprindo objetivos do “Ubisoft Conect”, sendo 6 galos especiais, 4 deles fazendo uma menção a Street Fighter e Mortal Kombat, os fãs vão gostar de ver o “El Dragon” (Ryu) contra o “El Rival” (Ken).

Caçar animais também é um dos trabalhos da ilha, o couro deles ou a carne serve de moeda de troca e você pode conseguir dinheiro ou materiais para seus equipamentos, animais raros podem ser encontrados em pontos mais difíceis, além de serem muito mais agressivos, consequentemente, suas recompensas também são melhores.
As atividades em Yara são muitas e Dani vai ter muito trabalho, e isso tudo enfrentando um exército, por isso é muito importante dominar os postos avançados, para ter acesso aos veículos daquele local e poder fazer as viagens rápidas de um lugar para outro, caso esteja com preguiça de fazer em tempo real, destruir as artilharias anti-aéreas também é importante para poder ter controle de vôo naquela determinada região, pois sobrevoar estes locais sem destrui-las significa ser abatido. Todos os postos avançados depois de tomados ficam com guerrilheiros da Libertad tomando conta, e caso aja um conflito todos eles irão te ajudar, fazendo com que o pequeno grupo rebelde vá crescendo a medida que o jogo avança, até chegar a hora que você terá pessoal suficiente para enfrentar Castillo de igual para igual.


Além dos amigos guerrilheiros, Dani vai contar com a ajuda dos “Parças”, animais totalmente fiéis a você que te ajudaram durante toda a campanha se assim você quiser. De início o jogo te apresenta “Guapo”, um crocodilo que a princípio acompanhava Juan, mas ao ver Dani, resolve segui-lo, Juan até comenta que provavelmente ele se apaixonou por você e irá segui-lo até o fim. Além de um crocodilo com roupa de pet e dente de ouro, Dani pode ter a companhia de cachorros, um galo bom de briga, e até uma onça branca, além de outros bichinhos, cada um com suas habilidades e fraquezas, é legal levá-los em combate caso você queira entrar com tudo, porém se busca um ataque mais furtivo é bom dar ordens para seus “Parças” para que fiquem em um determinado local e ataquem somente com seu comando, ou se você preferir pode-se optar por não levar nenhum em missão.

Como nos títulos anteriores, Far Cry 6 possui dublagem em português, o que torna toda a narração e o acompanhamento da história muito mais atrativo, porém, como tudo se passa no Caribe o linguajar local é o espanhol, mas a maioria das pessoas usam apenas sotaque, já os NPC’s importantes para a história falam nosso português e vez ou outra também palavras com sotaque, é bem legal interagir com todos eles e escutar tudo o que tem a dizer.

O jogo foi testado em um PS5, e o poder do console torna transações entre locais muito mais rápidas, além de uma renderização mais bonita, vale a pena prestar atenção em cenários de campo aberto e florestas, mas ao se aproximar muito de determinados objetos como por exemplo flores nota-se o quão artificiais elas são, a melhor coisa é admirar a distância mesmo. Este quesito ainda está sendo melhorado com o passar do tempo, e Far Cry 6 não é o primeiro e nem será o último com este tipo de “defeito”, o futuro nos reserva jogos exclusivos para está nova geração de consoles que vão trazer gráficos muito mais impressionantes.

Uma curiosidade muito legal e que com certeza a maioria soube assim que bateu os olhos é sobre o ator que da vida a Antón Castillo, Giancarlo Esposito, que atuou em papéis importantes em The Boys e The Mandalorian só pra citar alguns, ele foi uma escolha muito bem acertada, pois Giancarlo consegue passar essa atmosfera pesada quando fala, ele consegue deixar quem está ao seu redor tenso e mostra que vilões não precisam ter poderes ou ser super fortes para passar um ar amedrontador, ele controla tudo em Yara, faz das suas palavras a verdade, e assim consegue o que quer.

Far Cry 6 é um jogo gigantesco com diversas opções de ação para se fazer, uma exploração livre após todo o mapa ser liberado que lhe renderá horas e horas de caminhada, seja a pé ou com cavalo, de carro ou avião, não importa, seus objetivos são muitos e com certeza você irá querer explorar tudo e mais um pouco, tem gráficos incríveis, que melhoram um pouco com o uso do PS5, porém nada exagerado, rodando em um PS4 possui uma beleza gráfica similar, o diferencial fica mesmo por conta dos loadings tanto para iniciar o jogo quando para viagens rápidas entre pontos seguros, apresenta um vilão marcante e interpretado por um astro como Giancarlo Esposito. Como é um jogo feito para a geração passada e atual de consoles ainda não pôde mostrar o poder total rodando exclusivamente em um PS5 ou um Xbox Séries, mas o que é entregue é excelente e vai deixar a comunidade de fãs felizes com certeza, prepare a poltrona, porque serão horas em Yara, os “Libertad” dependem de você guerrilheiro!

Far Cry 6 está disponível para PS4, PS5, Xbox One e Séries S e X e PC

Nota: 4/5