Resenha – O Retorno (Editora Arqueiro)

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“A vida nos oferece novos rumos o tempo todo, e nesse processo nós crescemos e mudamos. Quando olhamos pelo espelho retrovisor, temos um vislumbre de eus anteriores que podem ser irreconhecíveis.”

Com lançamento em novembro de 2020 pela Editora Arqueiro, O Retorno, de Nicholas Sparks, nos mostra mais da fase com menos carga dramática e uma pontinha de mistério do autor, sem perder sua habilidade de escrever de um jeito que nos transporta para dentro de suas obras.

Em O Retorno, acompanhamos os acontecimentos dos últimos cinco anos, até como está a vida atual de Trevor Benson, um ex-cirurgião da Marinha aposentado por invalidez. O falecimento de seu avô, de quem era bem próximo, o leva a uma jornada que ele nunca imaginaria.

Agora, proprietário da fazenda onde passara boa parte de suas férias na infância e adolescência, cuidando das colmeias de abelhas com seu avô, Trevor decide se mudar para lá temporariamente, afim de fazer as reformas necessárias, continuar o tratamento de seu transtorno de stress pós traumático e procurar qualquer pista que o ajude a decifrar as misteriosas últimas palavras de seu avô no hospital.

Apesar de todas as tarefas para as quais se comprometeu, Trevor acaba se apaixonando à primeira vista pela auxiliar de xerife da cidade Natalie, que se mostra uma pessoa tão cheia de segredos quanto bela. Rapidamente se tornando grande parte da nova rotina dele, Natalie vai ajudá-lo a descobrir novas coisas sobre seu avô e ainda a investigar um outro mistério, que parece ser a chave para decifrar suas intrigantes últimas palavras: Callie, uma adolescente introvertida, que antes de Trevor era a recém chegada da cidade. Porém, como se aproximar dela e conquistar sua confiança para descobrir o que ela sabe?

O passado de Trevor nos é apresentado aos poucos, e apesar de não termos conhecido seu avô, é como se ele fosse um personagem que está sempre lá, seja em lembranças que a casa traz ou na memória das pessoas da pequena cidade, que lembram dele com muito carinho. Isso torna a perda de Trevor ainda mais palpável.

Muito se fala sobre a importância do auto cuidado nesse livro, seja do corpo ou da mente. Cada personagem apresentado possui características únicas, que acrescentam no crescimento de Trevor, mas também do leitor. Os personagens, conversas e sentimentos são muito reais e fáceis de se conectar, por mais que as experiências relatadas por eles possam ser muito diferentes da vivência de quem lê.

O começo do romance parece um pouco prematuro, como se Trevor estivesse esperando muito por um relacionamento, o que faz ele se mostrar muito insistente em determinados momentos, mas com o passar da história notamos como esses “defeitos” de Trevor o fazem ainda mais relacionável para o leitor. Por outro lado, a parte de investigação sobre os últimos passos de seu avô em uma cidade pequena, prende a leitura e faz as páginas passarem sem sentir.

Apesar do foco de Trevor se dividir em coisas normais como cuidar da reforma da casa, cuidar de sua saúde, conhecer a nova cidade e lidar com um romance inesperado, essas pequenas coisas que formam as histórias de nossas vidas fazem a leitura fluir e deixa com gosto de quero mais. É o livro ideal para degustar, se emocionar e refletir sobre nosso modo de viver a vida e até sobre nossos sonhos e desejos.