Análise Detroit: Become Human
21.10
2019
Análise Detroit: Become Human

A Quantic Dream, empresa responsável por Fahrenheit, Heavy Rain e Beyond Two Souls traz um novo jogo focado na narração, desta vez, sendo exclusivo do Playstation 4 e usando o poder gráfico do console da nova geração da Sony ela conseguiu trazer um visual hiper-realista mesclado a uma história forte e profunda, repleta de reviravoltas e de momentos que prenderão o jogador por horas. Junte os amigos e prepare-se para curtir esse jogo/filme!

 

 Bem-vindo a Detroit, a cidade dos androides!

 

O ano é 2038, a cidade de Detroit retratada aqui está revitalizada graças a CyberLife, uma empresa que é responsável por implementar na rotina dos humanos os androides, criados a nossa semelhança eles estão espalhados por todo canto e executam todo tipo de serviço, praticamente substituindo a força de trabalho humana, no início até que a ideia foi revolucionária e agradou a maior parte da população, mas com o passar do tempo logo surgiram pessoas que eram contra a ideia de androides os substituindo, tomando seus trabalhos, e o que era para ser uma revolução em prol da humanidade se tornou o início de uma guerra inevitável.

 

Este é Markus, um dos protagonistas.

 

Ao iniciar Detroit: Become Human somos apresentados a Chloe, a anfitriã do jogo e também uma androide do modelo ST200 (e linda, diga-se de passagem), além de guiar o jogador através do menu será uma agradável companhia toda vez que ligar o console, ela faz comentários, e as vezes até parece conversar mesmo conosco, também possui uma participação na história bem marcante, aposto que a maioria dos jogadores farão a mesma escolha ao final do capítulo de Chloe.

 

Esta é Chloe, linda não é?

 

O objetivo principal de Detroit: Become Human é tornar a campanha de cada jogador única, e a Quantic Dream desenvolveu com maestria um sistema onde cada decisão tomada pode influenciar no final de cada capítulo, decisões de vida ou morte, ajudar ou não ajudar alguém, lutar ou fugir, você terá total controle dessas decisões, mas muitas delas terão que ser decididas em segundos pois o tempo não será um grande aliado nesta história, também haverá momentos onde a decisão tomada decidirá se o personagem continua ou encerra sua participação na campanha, uma dica que provavelmente a Chloe irá lhe dar no início do jogo, aconteça o que acontecer, não recomece nenhum capitulo antes do primeiro final, pois independente de suas escolhas o jogo continuará e assim moldará o seu estilo, também lhe dando a opção de voltar para uma nova campanha e iniciar um novo jogo totalmente diferente do primeiro.

 

Aqui você vê a linha do tempo do jogo, os caminhos que já fez e os que ainda faltam desbloquear!

 

A jogabilidade não é o forte em Detroit.

 

Desde o início do jogo temos liberdade de movimentar o personagem pelo cenário interagindo com outros NPC’s e também procurando itens, apesar de ser um trajeto linear alguns cenários dispõem de uma ampla área a ser investigada, e neste jogo é fácil perder detalhes importantes para o desenrolar da história.

Há também vários momentos de ação onde o jogador participa ativamente, porém, a jogabilidade nestas horas é bem simples e flui apenas com botões sendo apertados na ocasião correta, nada de mirar, atirar ou se esconder como em um bom FPS, aqui a cena acontece e você tem que ser rápido para fazer as sequências corretamente, parece até chato dizendo, mas jogando é outra coisa, nestas horas o jogador já está imerso a história e irá querer ser sair bem durante estas partes, e lembrando que este é o foco do jogo, o jogador interage durante todo o momento criando sua própria narrativa e a ação fica para os olhos apreciarem.

 

O tempo é seu inimigo então decida rápido qual é a melhor abordagem

 

Esse é o resultado de uma ação mais radical, mas lembre-se, se você quiser não precisa acabar assim.

 

Gráficos e trilha sonora caprichados!

 

Com certeza observar os personagens e os locais em uma Detroit reformulada é lindo e impressionante, todos os personagens têm aspectos muito próximo ao real, isso graças a técnica de captura facial e de movimentos onde atores e atrizes gravaram por um longo período todas as cenas do jogo, isso pode ser conferido na sessão de extras, basta desbloquear com os pontos obtidos ao final de cada capitulo, é bem interessante de se assistir, porém uma pena por não haver nenhuma legenda em nenhum destes vídeos.

 

Este é Luther, qualquer semelhança com uma pessoa real não é coincidência.

 

Os cenários também estão muito bem trabalhados, e a quantidade de detalhes é enorme, principalmente quando estamos no controle de Connor procurando pistas em uma cena de crime. Andar pela cidade também rende boas horas de exploração, veículos, pessoas e animais se misturam em meio a prédios e construções com cores e formas diferentes, parece realmente que estamos assistindo a um filme.

 

Observe cada detalhe para não perder nenhuma pista

 

Os cenários a noite também estão caprichados.

 

 Três protagonistas!

 

Durante a história você controlará três personagens, três androides com personalidades e perspectivas diferentes, mas que em um dado momento se fazem a mesma pergunta, quem realmente eu sou?

O primeiro e talvez o mais legal de se jogar é Connor, ele é um androide negociador modelo RK800, o androide mais moderno que a CyberLife tem a oferecer, foi criado para auxiliar a polícia de Detroit em sequestros e assassinatos, possui alta capacidade de investigação e diversos recursos em seu sistema possibilitam que desvende os casos no menor tempo possível, como por exemplo a análise de sangue ou de outras substâncias em tempo real, bastando ingerir uma pequena quantidade na boca (meio nojento, mas tudo bem, é um androide), além de conseguir reconstituir cenas detalhadas de fatos acontecidos através da coleta de evidências suficientes.

Connor pegou um caso onde um androide aparentemente perdeu a estabilidade e atacou os próprios donos e esse foi o primeiro incidente do tipo, com o tempo mais androides viriam a se rebelar tornando-se Divergentes, neste estado eles conseguem quebrar as barreiras que o sistema impõe a eles e digamos que criam consciência, conseguem tomar decisões que antes não podiam e isso os tornam perigosos e uma séria ameaça a humanidade.

Connor então vai ao encontro do Tenente Hank Anderson, um policial veterano, rabugento e viciado em bebida para formar uma parceria pouco provável na tentativa de solucionar o caso dos androides divergentes.

 

Androide negociador em cena, abram caminho.

 

 

Mais um caso resolvido.

 

Kara, a empregada.

 

Kara é uma androide do modelo AX400, e é auxiliadora do lar, construída para ajudar em todos os afazeres domésticos, foi comprada por Todd Williams, um cara viciado em drogas e muito agressivo, tem uma filha chamada Alice, quieta e reservada, Alice não fala muito mas demostra uma certa afeição por Kara, no início os capítulos de Kara serão calmos e sem muitas coisas interessantes para fazer, mas à medida que acontecimentos profundos marcam ela e Alice a jornada das duas irá ser um grande desafio e precisarão de toda a ajuda possível para conseguirem ter uma vida normal.

 

Kara terá uma jornada bem difícil pela frente e Todd, o seu dono, não irá facilitar.

 

Uma pequena mudança no visual para despistar os perseguidores.

 

Markus, o líder divergente!

 

 Markus, um androide do modelo RK200, é cuidador de um senhor idoso chamado Carl Manfred, ele é paralitico e necessita dos serviços de Markus para exercer seu hobby/profissão que é pintar quadros de todos os tipos, um grande artista renomado e reconhecido perante a alta classe, ele também tem Markus quase como um filho apesar dele ser um androide e a amizade dos dois é forte e verdadeira.

Em um momento de pura tensão Markus também rompe suas barreiras e se torna divergente, mas não sem sofre consequências graves, ele quase é destruído e literalmente precisou juntar os cacos para se reerguer, depois disso conhece um grupo de androides, também divergentes em um local secreto chamado Jericho e a partir deste momento passar a agir em prol da liberdade de todos os androides, a fim de provar que os androides também tem uma consciência e devem ter uma vida normal como qualquer outro humano.

 

Markus em um momento de paz com seu dono Carl Manfred.

 

O destino dos androides está em suas mãos.

 

Por ser um jogo narrativo Detroit: Become Human não possui qualquer modalidade online, mas estando online é possível conferir ao final de cada capítulo as estatísticas gerais de todos os outros jogadores, uma porcentagem para cada desfecho indica quais foram os mais escolhidos e se você faz parte da maioria ou não.

Além disso ainda temos colecionáveis, revistas em formato digital podem ser encontradas em cada capítulo, não vão influenciar em nada na história, mas possuem conteúdo informativo sobre os androides e a CyberLife que vale a pena ser lido, os mais curiosos com certeza vão querer encontrar todas as 46 disponíveis.

A sessão de extras possui uma enorme quantidade de material que pode ser desbloqueado com os pontos que são adquiridos toda vez que se finaliza um episódio, temos desde imagens conceituais e trilhas sonoras até vídeos que mostram curta-metragem de personagens importantes, além de uma galeria com praticamente todos os personagens que aparecem na história e suas respectivas versões.

 

Uma das opções dos extras é a trilha sonora, que da informações detalhadas sobre o autor da música e o que ela tem um comum com o respectivo personagem.

 

 Conclusão.

 

Jogar Detroit: Become Human é uma experiência fantástica, a imersão que temos na história nos prende de uma forma que assim que um capítulo é finalizado queremos de imediato continuar para saber o que vem a seguir, os três protagonistas são muito bem trabalhados e possuem um carisma que vai agradar a todos, assim como alguns personagens coadjuvantes no caso do Tenente Anderson e Luther, a grande maioria dos capítulos possuem mais de três finais diferentes o que possibilita um jogo diferente toda vez que reiniciar aumentando muito as horas de jogo, os gráficos fazem jus ao poder do Ps4 com um visual totalmente realista e isso torna a experiência visual um show à parte junto com uma trilha sonora de primeira que marca a personalidade de cada protagonista, já a jogabilidade é simples, e talvez esse seja o único problema, mas como esse não é o ponto forte do jogo não deve ser tido como um ponto negativo, assim, Detroit: Become Human deve estar na coleção da maioria dos donos de Playstation 4 agradando todo amante de uma boa história!

 

 NOTA 9

Membro do S.T.A.R.S ao lado de Chris, apaixonado por games desde sempre, extrovertido e amigão da vizinhança, segundo super-soldado conhecido pela humanidade e chamado de Nash, analista de games do Portal GeekSaw.


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Tema por Gabriela Gomes